sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ultra-som ao longo dos 9 meses

No primeiro trimestre
Os exames de ultra-som para avaliar as condições do feto devem começar em que fase da gravidez?
O primeiro exame ultra-sonografia deve ser feito ao redor da sétima ou oitava semana de gravidez por via transvaginal. Nessa fase, é possível visibilizar o embrião e detectar o batimento cardíaco.
A partir de que momento o ultra-som detecta a presença do embrião?
Pela via transvaginal, na grande maioria dos casos, o embrião começa a ser detectado lá pela sexta ou sétima semana de gravidez e o batimento cardíaco, quando o embrião está medindo 5mm o que ocorre geralmente nessa fase da gestação.
Nós já usamos as palavras feto e embrião para designar o bebê que está na barriga da mãe. Em termos de semanas de gestação, o que diferencia o feto do embrião?
Cientificamente, até a oitava semana da gravidez, ele é classificado como embrião e daí em diante, até o nascimento, de feto. Depois do nascimento, é chamado de recém-nascido.
O que se procura identificar no ultra-som feito na sétima ou oitava semana de gravidez?
A primeira vantagem do ultra-som precoce é datar a gestação, ou seja, comparar se a idade gestacional indicada pelo atraso da menstruação está concordante com o tamanho do bebê. Sabe-se que quanto mais no início estiver a gravidez, menor será o erro ultra-sonográfico. Esse exame, portanto, nos dá a certeza de que existe compatibilidade entre o tamanho do feto e a idade gestacional.
O ultra-som detecta com precisão a idade do feto?
No primeiro trimestre, a margem de erro na datação da gravidez é pequena, fica em torno de cinco a sete dias. Esse dado inicial é importante para verificar o crescimento do feto, e classificá-lo como pequeno, grande ou de tamanho adequado para a idade gestacional. Na falta do ultra-som do primeiro trimestre e existindo uma diferença muito grande (para mais ou para menos) entre a idade gestacional indicada pela última menstruação e a ultra-sonográfica do terceiro trimestre, surge a dúvida entre a possibilidade de erro na data fornecida pela gestante e uma alteração do crescimento fetal.
Isso pode acontecer, pois as mulheres podem confundir a data da última menstruação já que algumas sangram durante a gravidez.
O ciclo menstrual sofre diversas influências na vida da mulher e isso tem reflexo na gravidez. Por isso, de 40% a 45% das gestantes apresentam o que denominamos de erro de data, ou seja, a data da última menstruação não é compatível com a ultra-sonografia.
Nesses casos, quais das duas tem mais chance de estar certa?
Geralmente, a data prevista pelo ultra-som está certa. Alguns fatores, como o uso de pílulas anticoncepcionais e a amamentação, interferem na regulação do ciclo menstrual e explicam o erro de data na contagem das mulheres. Em muitos casos, o intervalo entre a interrupção do anticoncepcional e a gravidez é muito pequeno; noutros, principalmente nas classes sociais menos favorecidas, nas quais não há uma assistência adequada de planejamento familiar, a mulher engravida de novo enquanto está amamentando.
Há uma crença popular de que as mulheres não correm o risco de engravidar enquanto amamentam.
De certo modo, a amamentação protege contra a gravidez, mas é preciso que a mulher esteja amamentando o bebê exclusivamente no peito. Mesmo assim, no terceiro mês após o nascimento começa a diminuir a eficácia do aleitamento como proteção e é preciso combinar algum método de barreira, o uso do preservativo, por exemplo, para a mulher ficar mais tranqüila. No momento, porém, em que deixa de amamentar unicamente no seio, é preciso introduzir métodos anticoncepcionais acessórios para evitar nova gravidez.
No segundo trimestre
Considerando uma gravidez normal, com que freqüência o ultra-som deve ser repetido?
Antes de estabelecer uma rotina ultra-sonográfica, é bom dizer que a grande maioria das gestantes tem gravidez normal. Se considerarmos os levantamentos mundiais e o da clínica obstétrica da USP, a porcentagem de malformações na população em geral é de 4% a 4,5%. Quando me refiro a malformações, incluo desde problemas graves, como malformação cardíaca ou cerebral, até uma mais leve como a polidactilia (um dedo extranumerário) de correção simples e que não traz nenhuma seqüela. Retomando sua pergunta, o primeiro ultra-som deve ser feito em torno da sétima ou oitava semana de gravidez. Além de determinar mais precisamente a data inicial da gestação, ele é importante também para verificar se a gravidez é tópica (está se desenvolvendo dentro do útero), ou ectópica (o saco gestacional está fora do útero, nas trompas) o que constitui um quadro grave que exige intervenção cirúrgica na maioria das vezes. O segundo ultra-som deve ser feito entre a 11ª e 14ª semana de gravidez e é chamado ultra-som com translucência nucal. O objetivo desse exame é examinar a normalidade de algumas estruturas fetais e medir a translucência nucal que indicará o risco de o bebê ter síndrome de Down ou alguma outra cromossomopatia.
E o terceiro, quando deve ser feito?
O terceiro ultra-som preconizamos que seja feito entre a 18ª e 24ª semana de gravidez. Ele é conhecido como ultra-som morfológico de segundo trimestre. Nessa fase, podemos analisar o feto da cabeça até os pés, examinando todas as suas estruturas, internas e externas, e avaliar sua normalidade. Nesse exame, realizamos também a dopafluxometria das artérias uterinas, isto é, das duas artérias que levam sangue da mãe até a placenta.
O que vocês estudam nessas artérias?
Por meio de Doppler, já no segundo trimestre, é possível identificar se a gestante é de risco para desenvolver pré-eclampsia (aumento da pressão arterial específica na gravidez) e restrição do crescimento fetal (diminuição do crescimento do feto). Atualmente, terminado esse exame, é feito também um ultra-som transvaginal para medir o comprimento do colo uterino a fim de estimar o risco de um parto prematuro.
No ultra-som feito entre a 18ª e 24ª semana, vocês examinam não só o feto, como a condição das artérias maternas que vão nutrir o útero e a condição do colo do útero por onde o bebê vai passar.
Pode-se dizer que é quase um pacote de ultra-sonografia em que se examina o feto e a mãe para avaliar suas condições para o desenvolvimento dessa gravidez. Quando é feito esse ultra-som, estamos mais ou menos na metade da gravidez (que dura 40 semanas), mas já se consegue determinar se a paciente é de risco alto e precisa de assistência específica ou se é de risco baixo para complicações na gravidez.
No terceiro trimestre
Depois desse, é necessário fazer algum outro ultra-som?
No terceiro trimestre, realizamos um ultra-som para avaliar o crescimento fetal e que costuma tranqüilizar a gestante no final da gravidez. Em geral, se preconiza que seja feito após a 34ª semana. Além de verificar se o bebê está crescendo adequadamente, reexaminamos as condições placentárias e a quantidade de líquido amniótico.
Você acha que quatro ultra-sonografias são suficientes para uma avaliação adequada da gravidez?
Com certeza. Se conseguirmos oferecer esses quatro exames, a paciente estará bem assistida do ponto de vista ultra-sonográfico e pré-natal.
Fonte: Dr. Drauzio Varella e Dr. Mario Burlacchini
Médico Assistente do Departamento de Obstetrícia da USP.

2 comentários:

Bianca disse...

lindo seu blog..parabénssss !!!
bjs
Bianca e Thamires

Anônimo disse...

O que vou falar não é bem um comentario, é mais uma pergunta, gostaria de saber se é possivel o bebê se esconde(não pode ser visualizado) no ultrasom.

Me responda urgentemente
e-mail: senhor_dos_dragons@yahoo.com.br